Impulsionado por novas séries, o drama se consagra como o gênero mais popular dos Estados Unidos
Por Marcelo Bernardes, de Nova York - Revista Época - Ed. 721 - 12/03/2012
Na luta das séries de televisão para manter o espectador em casa, longe
das poltronas do cinema, o drama era a última barreira a vencer. No
campo da comédia, o domínio já é antigo: I love Lucy e Jeannie é um gênio garantiram risadas nos anos 1950 e 1960, respectivamente. Seinfeld e Friends renovaram o gênero mais recentemente. Lost e 24 horas provaram que o suspense também pode ser mais empolgante na televisão. Só faltava o drama. Depois do sucesso de séries como A família Soprano e Mad Men,
ficou claro que não falta mais. Essas séries levaram a televisão ao
triunfo definitivo. Em 2011, os críticos disseram que o melhor drama do
ano não foi um filme, mas a minissérie Mildred Pierce,
estrelada pela atriz Kate Winslet e produzida pela HBO. Neste ano, com a
migração de roteiristas, diretores e atores do cinema, os dramas de
qualidade se tornaram frequentes.
Mesmo o canal educativo americano – o PBS, ou Public Broadcasting
Service – amealha, desde 2011, um público impressionante para a
minissérie inglesa Downton Abbey, sobre as diferenças sociais
entre uma família aristocrata inglesa e seus empregados (a série
estreará no Brasil em 19 de maio pela Globo HD). Abandonados por
Hollywood, Dustin Hoffman e Nick Nolte experimentam a volta ao sucesso
com a atual série Luck, sobre os bastidores de corrida de
cavalos, que o cineasta Michael Mann produziu para a rede HBO. A
produção mais aguardada do ano ficou a cargo da empoeirada NBC. Sem
emplacar um seriado de sucesso por quase uma década, a rede deu ao
lançamento da série Smash, no mês passado, nos Estados Unidos,
um tratamento digno das grandes estreias de Hollywood. Nenhuma frota de
ônibus ou táxi das principais cidades americanas deixou de ter anúncios
de promoção de Smash afixados em suas laterais – ou, no caso
dos táxis, em displays iluminados no teto dos veículos. Nas emissoras
concorrentes, houve anúncios pagos com pequenos trailers do programa.
Para celebrar a estreia oficial da série, o Museu Metropolitan, em Nova
York, foi fechado para uma grande festa. A série vai estrear no Brasil
em 26 de março.
O alvoroço em torno de Smash não é gratuito. Somente o primeiro
episódio custou US$ 75 milhões (uns R$ 133 milhões), mais caro que um
filme de Woody Allen ou dos irmãos Ethan e Joel Coen. Especula-se que os
gastos com divulgação tenham chegado a US$ 22 milhões. Quando a
fanfarra promocional deu lugar à estreia, Smash revelou-se um
delicioso dramalhão: bem produzido, sem medo de ser kitsch e com
inúmeras referências à cultura pop americana, especialmente para aqueles
que acompanham o mundo das produções da Broadway. Aos poucos, o drama
de egos dos produtores, dramaturgos e diretores – e a vontade de
coristas curvilíneas de ver seu nome na marquise dos teatros – vai
caindo no gosto dos telespectadores. Isso explica o salto na audiência
do programa, de 2,7 milhões de espectadores, em seu episódio de estreia,
para os 8 milhões que sintonizaram o quinto capítulo da série, exibido
nos Estados Unidos no dia 5 de março.
Com a produção executiva de Steven Spielberg, Smash retrata uma dupla de compositores letristas de sucesso da Broadway (interpretados pelos atores Debra Messing e Christian Borle) que decide se juntar mais uma vez para criar um musical. O tema escolhido é a vida da mais famosa estrela feminina de Hollywood. Duas ambiciosas coristas disputam o papel de Marilyn Monroe. Uma delas, Ivy Lynn (Megan Hilty), é uma atriz em busca de um papel suculento. A outra é Karen Cartwright, uma interiorana ingênua de Iowa, interpretada pela cantora Katharine McPhee, segundo lugar no programa American idol. Ambas são seduzidas pelo arrogante diretor Derek Wills (Jack Davenport). O resultado é uma bem-sucedida mistura de temas clássicos do cinema americano, apaixonado por seus bastidores, com séries de sucesso como o musical Glee.
(...) O desempenho dos atores em cenas impensáveis em grandes produções de Hollywood rendeu elogios da crítica. A consagração de Danes e Baccarin, aliada aos elogios recebidos por Dustin Hoffman em Luck e pelo elenco de Smash, mostra que a televisão não roubou apenas os espectadores dos filmes – pegou também os atores e a ousadia criativa.
Com a produção executiva de Steven Spielberg, Smash retrata uma dupla de compositores letristas de sucesso da Broadway (interpretados pelos atores Debra Messing e Christian Borle) que decide se juntar mais uma vez para criar um musical. O tema escolhido é a vida da mais famosa estrela feminina de Hollywood. Duas ambiciosas coristas disputam o papel de Marilyn Monroe. Uma delas, Ivy Lynn (Megan Hilty), é uma atriz em busca de um papel suculento. A outra é Karen Cartwright, uma interiorana ingênua de Iowa, interpretada pela cantora Katharine McPhee, segundo lugar no programa American idol. Ambas são seduzidas pelo arrogante diretor Derek Wills (Jack Davenport). O resultado é uma bem-sucedida mistura de temas clássicos do cinema americano, apaixonado por seus bastidores, com séries de sucesso como o musical Glee.
(...) O desempenho dos atores em cenas impensáveis em grandes produções de Hollywood rendeu elogios da crítica. A consagração de Danes e Baccarin, aliada aos elogios recebidos por Dustin Hoffman em Luck e pelo elenco de Smash, mostra que a televisão não roubou apenas os espectadores dos filmes – pegou também os atores e a ousadia criativa.
Prezadas e Prezados, dêem sua opinião sobre a comparação que o artigo faz com o cinema, mas também o que podem levar para a produção das séries que irão produzir para o TIDIR.
